Pensei em escrever sobre como "a gente somos".
Mas como escrever sobre a gente se nem mesmo somos?
O local não poderia ter sido melhor. O momento também não. Depois de tantas falácias, depois de tantas promessas, tantas coisas vividas, tantas coisas vivas e mortas. Depois de tantos "tantos", não poderíamos estar em momento melhor para falar de "a gente".
"Eu ouço sobre o amor e me calo". Ele não. Ele não só cala, como não fala. Ele não só fica inerte, como o que diz parece convencer, mas como ela não o olhou nos olhos, ela não pode ver o que de verdade e mentira havia ali. Mas aí ele pode alegar que como ela não o olhou nos olhos, ela também não conseguiu passar a verdade. Ele diz temer. Ela também. Ela se diz insegura por ultimamente pisar em terrenos inférteis. Ele diz a mesma coisa. Curioso.
Mas e as tantas faltas? E as milhares de faltas dele que sequer questionadas foram, por simples esquecimento ou mesmo por não querer ela ouvir? E as zilhardares de falhas dela? Ambos erram. Ambos acertam. Ambos gostam. Gostam muito. Amam?!
"Amar é profundo e nele sempre cabem de vez todos os verbos do mundo..."
Como querer que "a gente somos" um, se o 'a gente' sequer escreve junto? Fica difícil juntar um artigo definido a um substantivo se nessa junção o resultado dará outro significado. Fica difícil unir algo que está virando quase que como a água e o óleo. Falta de tentativa não é. De ambos.
Só o tempo mesmo pra dizer alguma coisa. Se é que ele sabe falar...
Texto: Carol Sousa
Aspas texto: Sinto Encanto - Zélia Duncan
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