terça-feira, 24 de agosto de 2010

Pétala

Estive pensando em como são as famosas "voltas que vida dá" no quesito coração. Engraçado o que acontece quando se tem um ex-namorado. Quando ele vai embora, vai a sua existência. É aquele também famoso, período da fossa. É nesse período que você pensa não existir mais sangue, alma, vida... É nesse período em que todos resolvem aparecer para te falar que isso passa. Que isso não vai durar mais que dois meses e que tudo vai dar certo, basta você entrar numa academia, dar um novo corte no cabelo e pronto. E você, lógico, tenta afogar todo mundo numa banheira pensando: "Como assim ela diz que vai passar? Ele sequer sabe o que eu estou sentindo. Isso não vai passar nunca seus loucos"!!

E o que acontece quando nesse momento você só enxerga o ex? O que fazer se nesse trágico momento você se produz brilhantemente linda e seu semblante é o retrato original da mais pura tristeza? O que fazer se ao sair de uma festa às quatro da manhã você não vai fazer outra coisa senão deitar a cabeça no travesseiro e borrar toda a maquiagem com uma cachoeira de lágrimas?

Mas sim. O tempo passa. E o que as pessoas "grandes" disseram em dias anteriores parecia ter sentido agora. É dia de esquecimento? Será? Pelo menos parece o fim do tormento. Nessa hora vem a outra voz ao telefone te chamando pela milésima vez para sair. Aí nessa hora tudo já parece ter sentido. Aceitar não só o convite, como também ser desejada, parece soar melhor e até agradável. Aí vem a primeira, a segunda, a décima e a trigésima saída. Aí vem os trinta pedidos de casamento. E os trinta "nãos". E tudo para. Para e entra a pergunta que não quer calar, mas cala: "já faz tanto tempo, porque o "não" ainda persiste?". A resposta vem em goles de conhaque+blues+lágrimas = ex!

Certo. Tudo bem que você ainda não tenha esquecido por completo o "finado fulano de tal", mas pelo menos a lembrança vem com menor impacto, vem com menos frequencia. Então você entende que é apenas uma questão de tempo mesmo tirar aquele rostinho antigo de dentro de você. Mas e a constância da presença? E o que fazer com ela? O danado é quando isso se torna rotina. É consenso: não dá. Com essa constância não dá para esquecer. E agora o que fazer se nem seu ele é mais? Se até de outra ele é? O jeito é permanecer na sua e mais uma vez recorrer aos goles de conhaque+blues+lágrimas. Uma lástima, mas é assim!

Mas aí um pedaço de tempo passa. E o que você faz? Retoma contato. Dessa vez diferente, bem diferente. Claro, todos dois, dois anos mais maduros, mais flexíveis, mais mais mais dispostos talvez... O reencontro é sempre mais saboroso. A volta é sempre mais prazerosa. Mas e quando ainda há um estranho entre tais? A desconfiança é o pior estranho que se pode habitar entre dois seres que se querem fazer em um só. Mas aí a hora é de conversar e esclarecer tudo para que nada vire como antes. As sensações estomacais desconfortáveis sempre existirão. As angústias também. E o amor também. Cabe a cada um dos dois saber o que lhe faz ficar ali por perto. Cabe a cada um dos dois tentar acertar ou pelo menos não errar os mesmos erros. Cabe a cada um dos dois falar, não calar. Cabe à eles amar. Só amar!

"Por ser amor, invade e fim..."

Texto: Carol Sousa

Aspas: Pétala - Djavan

2 comentários:

Anônimo disse...

Agora sim... completíssimo... com algumas alterações, mas completo... parece que alguém andou escrevendo bastante enquanto eu estava sem net neh???? hehe

A melhor parte disso tudo é que agora podemos tomar o conhaque e curtir o blues juntos... sem lágrimas... só amor...

Bj

Anderson Moreno

Glaycy disse...

me identifiquei completamente com seu texto... tirando a parte da bebida... me vi nele a um ano atrás, o estado em que eu me encontrava... mas a vida continua e segui seu ciclo... e o mundo dá várias voltas... /mas estou bem, me sinto bem... e isso é o que mais importa!

Beijos Caroool! ;*

by Elfa