quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Desamor

Em mais uma daquelas conversas de bar, um amigo me confessou estar com o peito rasgado, estourado, perfurado por causa de uma sem causa. Ele não está triste, ele está indignado. Se questiona o tempo inteiro sobre como existir uma criatura tão sem sentir, tão sem coração, tão sem humor, tão sem seriedade para acabar com tudo assim, rápido e direto como um tiro certeiro.

Pois bem, ela chegou sem dó nem piedade, chegou como quem vem dá um beijo de "bom dia" e - depois de pouco mais de ano - deu-lhe um abismo para que mergulhasse de cabeça. Ali, perdido, com frio, fome, estômago e coração vazio, ele diz não suplicar por sua volta, pois se ela vier - de mala e cuia - terá apenas o trabalho de voltar - com a mesma mala e a mesma cuia. Dessa dor ele tem medo de provar de novo. E como ele julga, com ela seria apenas o sabor do amargo.

Hoje ele prova daquele aparato: conhaque, bar, meia-luz e jazz. Tá, tudo bem, a famosa dor de cotovelo, como queiram! Hoje ele prova isso e cada dia será uma experiência nova. A cada dia ele vai achar que não vai aguentar, que vai fraquejar, que vai literalmente morrer de saudades do cheiro e de tudo que ele viveu nela. A cada dia que passar, enquanto ele acha que essa dor parece ser mais forte, ele perceberá que apesar de tudo, que "apesar de você", ele continua vivo, mas que o mundo, infelizmente, não vai parar para que ele desça e aniquile-a de sua mente.

A dor do desamor só o tempo cura. Só o tempo te aprensentará, meu amigo, um novo amor, uma nova vida. Ou quem sabe o mesmo amor, mas de uma outra forma, mais maduro...

Deixa. Assim como a vida tira, ela também dá...

Texto: Carol Sousa
Aspas: "Apesar de Você" - Chico Buarque

3 comentários:

Anônimo disse...

E que descriçao perfeita em Carol, conseguindo tranformar sentimento em arte. Nao que o sentir, o gostar ou o amar por si so ja nao sejam uma bela e maravilhosa forma artistica, mas a forma de descreve-lo me surpreende em suas palavras.

''Deixa. Assim como a vida tira, ela também dá...''

me guiarei por estas palavras pra talvez assim, superar outras amargas.
obrigado pela lembrança e pelo conforto Carol.


''Hoje ele prova daquele aparato: conhaque, bar, meia-luz e jazz.''

pois eh, e existe forma melhor para se ''curtir'' um sofrimento?
:)

Abraços minha amiga.

Carol Costa disse...

Ô meu amigo, só quero que fique bem!!!

E obrigada pelas palavras!!!

Se cuide...
Grande abraço!!

:)

Razek Seravhat disse...

Carol Sousa,

Impressiona-me a facilidade com que manuseia as palavras. Só peço que faça bom uso dela. Devo admitir que seu amigo foi muito feliz ao escolher você, poetisa, para afastar suas mágoas. ( embora eu não acredite que o amor deixe mágoas, mas isso eu deixo pra outro comentário) Ah, quanto ao poema "O Resto" quero dizer-lhe que o último verso pareceu-me desnecessário. É como se o poema já tivesse acabado e você forçou um outro verso e ai, "destoou" do contexto. Não quero fazer poema por você nem tão pouco dizer-lhe quando seu poema acaba. Só penso que como amante da literatura e excelente poetisa que você é deve perceber esse tempo. Espero que me entenda e retorne outra vezes ao Lenitivo.

Ternura Sempre!