quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Pra que lado foi a vida...

É um sentimento que quando se experimenta, descobre-se que é o mais amargo que há. E não, não tem nada que você faça. Nenhum sorriso que você dê vai fazer com que todos ao seu redor acredite que você realmente esteja feliz. E não, também não adianta olhar pro chão como quem quer desviar o olhar acreditando que ele está olhando pra você. Essa é a pior. Não adianta conversar mostrando a alma de tanta gargalhada que se dá. Nada vai adiantar. Todo mundo ali vai tentar disfarçar e acreditar nas aparências só para ajudar.

E um jeito? Arruma um jeito. O que fazer, então? Ah, para isso não há muito segredo. Para esse tipo de situação nada melhor do que o álcool como único e excelente companheiro. Foi então que ela se entregou aos braços de "Morfeu" e bebeu. E muito nesse dia. Tanto que não dava conta de controlar seus olhos. Eles só fitavam o novo casal. E ela, claro, ficou de fora. Ficou no camarote, afinal ela era convidada especial. O mundo todo podia faltar, menos ela.

Ela não sabia mais se dançava samba ou tango. E nem queria saber. Queria mesmo era beber. E tanto que não dava conta de controlar de novo seus próprios olhos que teimavam em fitar cada passo, movimento do casal novinho em folha. Estava atordoada. A sua mente não a deixava sossegada. Queria saber a todo instante quem era aquela, porque aquela, como assim aquela e, só pra rimar, porque não ela.

Enfim, já é hora de acabar. Sem saída, naquele velho beco escuro daqueles que estampam os filmes americanos  ela andou. Distraída, ou simplesmente traída, só queria ter experimentado o doce veneno de aparecer no meio da festa mais magnífica do que nunca e do que todos, mostrando que deu a volta por cima e pedindo a Deus que o patife soltasse aquela e viesse ao seu encontro, como naqueles também filmes americanos...

Foi tudo pressentido? Foi tudo dito? Pelo sim ou pelo não, o que fica sempre é o medo. Medo de não dar conta da dor, que de tão imensa busca desesperadamente um sorriso, nem que seja daqueles meio forçado, amarelado...

E ela só queria, com ele, falar de amor...

"A gente ri, a gente chora e comemora um novo amor...".

Por Carol Moreno

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