Um dia com uma turma resolvemos viajar para acampar. Fomos acampar num sítio. Sítio do Bosco. Passamos uma noite linda. Na manhã seguinte resolvemos aventurar. Fomos ao sítio vizinho. Sítio do Alemão. Lá deparamos com um senhor de barba bem branca, sentado numa cadeira de sei lá o que, se balançando e com um Ipad na mão. Confesso que estranhei aquela tecnologia toda num lugar tão rústico, mas vá lá, já era século XXI. Não fomos recebidos calorosamente (ele devia estar muito entretido com o Ipad), mas o "bom" velhinho nos indicou o caminho a ser seguido, com apenas uma observação: "Tomem cuidado".
Seguimos todos, oito, por um caminho estreito, tortuoso e cheio de pegadinhas. Fomos brincando, conversando, empurrando-nos, enfim, uma caminhada divertida de mais ou menos dez minutos. Ao seu final de repente chegamos em um espaço bem pequeno, capaz de comportar pouco mais do que cinco pessoas, e logo à frente um abismo. Sim, abismo dos maiores que eu já vi logo embaixo dos nossos pés. Daqueles que quando você está diante você se sente pequeno, inseguro, agradecido e livre. Na hora dá vontade de pular só pra ver se voa, mas a razão logo age e não nos permite isso.
É dessa liberdade que eu tô falando. De você conseguir ser livre porque simplesmente quer sê-lo. Durante o caminho, durante as brincadeiras, um escorregão poderia um ou nós todos ter caído ali naquele abismo, mas estávamos tão livres de medos e maldades que Deus quis apenas que víssemos como é nos sentir daquela maneira. É grandioso. É espetacular.
Não digo que foi um passo para a humanidade, mas foi um grande passo pra mim. Ali eu estava aprendendo a me livrar de tudo que me causa(va) medo.
Se livra você também! É legal, é divertido, é...li-ber-ta-dor!
Por Carol Sousa
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